Arte do dia
20 de maio 2012
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Por mim
Me perdoes
Mas seja feita tua vontade
Desde que seja minha
Não sendo, perderia o senso
Não teria algum
Entregar-te meu destino
Ou sim
Não fostes vós
O responsável pelo desatino
17 de maio 2012
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Arte do dia
16 de maio 2012
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Déjà vu
O sujeito pode atingir os mais nobres objetivos nesta vida. Pode também, até com mais frequência, não conseguir seus intentos.
De uma maneira ou de outra, com este ou aquele sucesso, fracassos vários, ou, ainda pior, levando mesmo a mais modorrenta das existências, ainda assim jamais será capaz de refazer seu início.
Nossas raízes, referências, são e sempre serão como sombras seculares, códigos cósmicos.
E não digo aqui como se quisesse, ou devêssemos nos livrar destes. Uma raiz, qualquer uma, precisa de alimento, precisa ser regada.
Assim, cá estou.
Da última vez, quando valia a continuação do sonho, sonhei.
Quero mais.
16 de maio 2012
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Rio Antigo
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15 de maio 2012
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Só
Ando sozinho por querer
Por não querer ser querido
Que só, sou livre
Como não seria contigo
Mas te querer não é escolha
É meu sufoco
Eterno castigo
15 de maio 2012
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Arte do Dia
14 de maio 2012
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Mistura
Te invado
Por prazer, por instinto
Sem pensar, sem querer
Invadir-te pode ser doloroso
Pode promover caos
Se invadir-me de ti, então
Pacificar, meus instintos maus
11 de maio 2012
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Arte do dia
11 de maio 2012
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Coisa de primata
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Como diria a bruxinha naquele clássico desenho do Pica-Pau, e lá vamos nós. Sim, mais uma vez – ou once again, para incomodar os de mente tacanha -, entra na pauta desta nossa sociedade desenvolvida, de gente educada, ciente do que seja cidadania e atenta às suas responsabilidades, a discussão racial.
Desta vez o motivo foi o vídeo-clipe acima. Trata-se de “King-Kong”, a mais nova melodia de Alexandre Pires, que conta ainda com as especialíssimas participações de Neymar e Mister Catra.
Pois a Secretaria Nacional de Promoção de Igualdade Racial não gostou nada do que viu. Argumentou que o vídeo usa de estereótipos contra a população negra e as mulheres. Que, em linhas gerais, as imagens fomentam o preconceito contra o negro, além de denegrirem a imagem da mulher brasileira. Racista e sexista, em resumo, é como classificaria o video, a Secretaria supracitada.
Minha opinião é de que o vídeo, de fato, levanta questões gravíssimas.
Por exemplo, se após “Tchetcherere Tche Tche”, veio o “Eu quero Tchú”, o que virá depois de “King Kong”? Em segundo, e tão importante quanto, é entender como que em todo o propalado staff de Neymar, não teve um único sujeito capaz de quebrar as duas pernas do craque se preciso fosse, e assim impedi-lo, com trocadilho, de pegar esse mico. Em terceiro, a questão realmente fundamental: quem diabos é Mister Catra?
Só assim, só deste jeito, tentando levar com humor, consigo digerir tanta estupidez. Juro que, ao ler sobre a manifestação da tal Secretaria, cuja própria existência já extrapola o ridículo, me senti um paspalho de marca maior.
Como posso, a esta altura do campeonato, já um velho acabado de quase quarenta anos de idade, ainda me expor a este tipo de coisa? Como é possível viver em um país que sorrateiramente caminha na contramão, que ao invés de evoluir mental e culturalmente, prefere arraigar-se aos mais bizantinos conceitos morais, que opta por um sorrateiro endurecimento de sua própria liberdade, pautando-se, deixando-se levar por questões que no fundo não são levadas à risca, que não são levadas a sério?
Talvez seja este o maior descalabro. A hipocrisia por aqui galgou o patamar de cacoete, a tal ponto que passamos mesmo a consumir baboseiras, apenas pela imagem que estas passam. Nos transformamos em atores de quinta, daqueles que se levam a sério.
É por este motivo, por estes firmes e horrendos alicerces preconceituosos, sim, pra lá de preconceituosos, que alguém decide falar alto sobre podar o Sítio do Pica-Pau Amarelo, usando o pretexto de que a obra fomenta o racismo. É por este motivo que um artista negro, quando convida um jogador mulato e decide se vestir de macaco, é censurado. Pensando bem, em sociedade que bate palma para cota racial, faz todo o sentido.
Pois a mim, enoja.
É muita burrice, muito provincianismo junto. Coisa de primata.
Assusta, além de tudo, pelo fato de que este tipo de manifestação – me refiro aqui a estas pseudo-correções morais/comportamentais – não são vistas com a severidade que merecem. O brasileiro deveria, fôssemos sérios, borrar-se de medo ao ler uma notícia assim. É ruim, neste sentido, que o episódio seja tão ridículo, tão vergonhoso. Talvez por isso não levemos a sério esta paulatina mas clara escalada autoritária.
Mas é grave, este tipo de coisa. Vivemos hoje em dia um momento de castração, de patrulhamento ostensivo, que deveria ser enfrentado, contestado por todos. A história nos conta que, nestas situações, quem tem as rédeas normalmente acredita piamente estar fazendo o bem. Pois é assim que enxergo o que vem acontecendo em nossa sociedade. Travestidos de paladinos da moral, com forte queda para o papel de justiceiros, estes que nos impõem o que pode ou não ser dito, a piada que não pode ser contada, as obras que precisam ser revistas, silenciosamente impõem grilhões a todos nós.
Deveriam, além de relaxar e perder um pouco da arrogância, compreender que justiça não se promove com injustiça.
Que não se arremeda um erro com outro.
Neste caso, o racial, aliás, caminhamos a passos largos para a formalização de uma nação oficialmente dividida, quando o maior preconceito por aqui, de fato, é o social.
Mas, claro, quem pode culpar nossos governantes?
Não só é muito mais fácil estabelecer cotas e criar bolsa-família, do que de fato promover socialmente (educação e saúde) o povo, como, além disto, encontrou-se uma ávida e rancorosa massa doida para “acertar as contas”. Exagero fácil de ser feito, quando o pano de fundo é um país eternamente prostrado sob a culpa cristã.
Quem pode culpar os nossos governantes?
Nós.
Começando por não nos acostumarmos com certos arroubos caudilhescos.
10 de maio 2012
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